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A segurança de empreender


Governos e empresas precisam redescobrir a liberdade, e essa liberdade passa obrigatoriamente pela sustentabilidade.


Há muito tempo digo que empreender em negócios sustentáveis são uma oportunida de denegócio com grandes chances de sucesso. E hoje mais do que nunca está claro o porquê.

Muitas pessoas, céticas às mudanças climáticas não apostavam neste tipo de negócio e diziam que era apenas mais um modismo.


Outras pessoas, não sabiam o significado de possuir um negócio sustentável e acreditavam “que isso é coisa para grandes empresas” e que os investimentos são muito altos.


Meu objetivo de hoje é desmistificar negócios sustentáveis. Mas em primeiro lugar, vou tentar responder à pergunta:


Empreender ou não empreender?


Em minha época de faculdade dizíamos que esta decisão estava relacionada à:

  • aversão ao risco;

  • capital investido;

  • relação tempo x trabalho; e

  • senso de oportunidade.

Com todo respeito aos meus antigos professores, hoje, depois de ter investido em uma carreira corporativa, e posteriormente em uma carreira acadêmica, eu acho que essa visão é muito mais mítica do que real. Veja porquê:

  • Aversão ao risco: ilude-se quem acredita que em uma carreira corporativa não há riscos. No passado, quando os empregos eram quase vitalícios até poderia ser, mas hoje? Não mais.

Em primeiro lugar nada impede sua empresa de fazer uma joint venture, se reestruturar e desfazer de alguns negócios, ou até mesmo falir. Quantos casos conhecemos de pessoas que ficam desempregadas de uma hora para a outra porque a sua empresa decidiu deixar o país, se uniu à outra, ou simplesmente fechou.


Além disso, o ambiente corporativo também é bastante competitivo e volátil. Precisamos todos os dias provar o nosso valor, o que exige um aprendizado constante, e uma série de competências comportamentais, além das competências técnicas.


Sinceramente, eu me sinto mais segura depois de ter me dedicado apenas ao meu negócio de consultoria e mentoria. Não que não haja competição. Claro que há, o que faz com que eu estude muito para me manter atualizada e no mercado. Mas o resultado final depende de mim, do quanto eu me empenho e do quanto quero me empenhar.


Visualizo as competências que preciso ter e corro atrás delas. A segurança está em mim, e não em um terceiro.


Dica: a minha dica é aprenda todos os dias e crie bons networks (em todos os níveis)


  • Capital investido: outro tabu.

Um negócio bem gerenciado e bem planejado cresce e se financia. Se no seu planejamento, você não vislumbra essa oportunidade, tem alguma coisa errada.


O crescimento tecnológico fez com que o investimento em algumas áreas de serviços, e até mesmo em lojas físicas, tenha ficado menor. Eu não preciso mais ter um estoque enorme, eu posso ter um estoque enxuto e repô-lo just in time; posso terceirizar o meu estoque com o meu fornecedor; ou implantar sistemas de reabastecimento automático.


Além disso, o marketing digital é uma ferramenta que veio para ficar. É muito mais barata e abrange uma área muito maior. Claro que você terá que fazer algum esforço para aprender algumas dicas, ou contratar (mesmo que de forma terceirizada) um designer ou produtor de conteúdo para te ajudar. Terá que aprender fazer uma bio atrativa no Instragram e um perfil bacana no Linkedin, por exemplo, mas tudo isso é know how, e know how se adquire.


Novamente, eu me sinto muito mais confortável financeiramente hoje, do que quando eu trabalhava em uma empresa de terceiros (tanto na academia como nas multinacionais pelas quais passei). Claro, que foi o know how adquirido e os salários recebidos em meus antigos empregos que me ajudaram a ter uma folga financeira inicial. Por isso, eu acredito que todos devemos ter uma passagem pelo mundo corporativo.


Dica: tenha uma reserva que te garanta por, pelo menos, seis meses de salário estando desempregado.


Essa dica vale para quem quer fazer uma transição para o próprionegócio, mas também para quem está pensando em mudar de emprego.


Outra dúvida constante é: trabalhando eu tenho 13º, abono de férias e salário garantido todo mês.


Bem... se você fizer um fluxofinanceiro que contemple as provisões do que você deverá pagar, com certeza terá uma visão do dinheiro necessário para cumprir com as obrigações da sua empresa. Não precisa ser nada sofisticado não. Você precisa conhecer suas entradas e suas despesas: atuais e futuras. Seu preço e custo unitário tembém deverão fazer parte de suas análises.


Dica: aprenda a criar seus fluxos financeiros, considerando as provisões das contas a serem pagas.


  • Relação tempo x trabalho: outro engano!

Quando eu fiz a transição para a área acadêmica eu fiz para poder ficar mais tempo com o meu filho. Bem, a primeira coisa que aconteceu foi uma inscrição no doutorado que tomava muitas horas do meu dia. Outra coisa que descobri é que na área acadêmica não há sábados, domingos ou feriados. Aliás, essas são as datas ideais para colocarmos o trabalho em dia. Fora as viagens para congressos, que todos invejam, mas não imaginam o desgaste mental e físico. Quando chega a noite, simplesmente desmaiamos! Em resumo, sinto falta do tempo que perdi ao lado do meu filho.


Na empresa também não era diferente, dependendo da posição temos hora para chegar, mas não para sair. As viagens são constantes, as responsabilidades enormes, e o tempo... o tempo é nosso maior inimigo.


Hoje, eu faço o meu horário. Reservo uma parte do dia para meu aprendizado (sim, estudo até hoje quase todos os dias), para cuidar de mim e da minha família.


Eu sei que se trabalhar mais, vou ganhar mais. Mas eu tenho a liberdade para escolher como vou administrar o meu tempo, pois aprendi (depois de alguns percalços de saúde) que quando prestamos mais atenção em nós mesmos o nosso trabalho flui melhor em qualidade e quantidade.


Dica: planeje muito bem o seu tempo. Reserve em sua agenda um tempo para você antes de começar a agendar as suas reuniões!


Senso de oportunidade: quem disse que as empresas não estão à procura de intraempreendedores? O tempo todo DEVEMOS estar de olho no que está acontecendo lá fora. Seja como os empreendedores ou intraempreendedores.

Eu aprendi, nos meus tempos como aluna, que o empreendedor é aquele que está sempre de olho nas oportunidades, e que consegue transformar oportunidades em negócios.

Só esqueceram de contar que as empresas querem profissionais com essas características também! Não há mais espaço para aquele funcionário faz tudo sem questionar. O que as empresas querem são pessoas que fazem, , mas que também perguntam se dá para melhorar.

Então, mais uma vez, essa característica não vale apenas para os empreendedores!


E a sustentabilidade?


A sustentabilidade é uma oportunidade (e rima!).


Hoje há uma pressão muito grande da sociedade civil para o cuidado com o meio ambiente; a guerra na Ucrânia mostrou que a dependência energética de outros países pode nos colocar em risco; há uma crise humanitária provocada pela pobreza extrema, crise pandêmica, número de refugiados só tende a crescer, nova crise energética com reflexos sociais, o plástico de repente entrou no nosso organismo, e a intolerância religiosa parece estar no seu limite.


Pois bem, se tudo isso pode pressionar cada vez mais as empresas, por outro lado pode trazer muitas oportunidades.


Governos e empresas precisam redescobrir a liberdade e essa liberdade passa obrigatoriamente pela sustentabilidade.

Negócios sustentáveis têm menor risco, são mais econômicos e mais duráveis (no sentido de que a empresa consegue se manter por um espaço de tempo maior).


Menor risco:

  • reduz a dependência de outras empresas e de matérias-primas provenientes de fontes não renováveis (que tendem a se exaurir);

  • passa por uma etapa de revisão dos processos produtivos, o que reduz o risco de quebras nos processos produtivos;

  • atrai mais clientes;

  • gera menos reclamações dos nossos clientes;

  • restringe o risco de problemas ambientais e humanos;

  • diminui a incidência de multas e processos trabalhistas;

  • reduz a probabilidade de sobretaxas (há uma tendência a sobretaxar produtos que não se preocupam com meio ambiente;

  • melhora a aceitação por parte dos bancos (os bancos devem entrar na briga contra o aquecimento global concedendo empréstimos mais baratos às empresas ecologicamente corretas); e

  • mitiga o risco de ser eliminado de cadeias de fornecimento cujo comprador segue normas ambientais e sociais.


Dica: a sustentabilidade não é apenas para grandes empresas.


Mais econômicas: em uma frase? Porque reduz seus insumos!

  • economiza no consumo de água e energia;

  • desperdiça menos;

  • diminui o consumo de embalagens;

  • reduz consumo de papel e outros materiais;

  • restringe os gastos com turnover e licença de pessoal;

  • mitiga gastos financeiros (taxas financeiras melhores);

  • está menos sujeita a multas e taxas; e

  • sujeita a receber subsídios por ser uma empresa sustentável.


Mais duráveis:

  • gerenciam melhor seus recursos (veja o livro: Feitas para Durarem);

  • fornecem mais valor ao cliente;

  • tem melhor reputação;

  • atraem os melhores profissionais;

  • atraem mais investimentos;

  • fazem revisões constantes em seus processos; e

  • estão mais atentas ao ambiente externo.


Tudo vale a pena quando a alma não é pequena

Fernando Pessoa


E o que é ter uma alma que não é pequena? É ter uma alma grandiosa.


Se temos uma alma grandiosa, naturalmente, teremos a tendência a vivenciar tudo o que quisermos e teremos forças para suportar as eventuais consequências negativas de nossas vivências, sem arrependimentos. Assim, corremos o risco de vivermos experiências novas e inesquecível, das quais poderemos dizer definitivamente que valeram a pena.


Se você tem o sonho de ter o seu próprio negócio, não hesite. Faça um bom planejamento e realize a sua transição com segurança.

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