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O que é o "cisne verde" que ameaça a sua empresa?


Cisne verde

Um estudo do BIS sugere que a próxima crise financeira terá causas ambientais. Sua empresa está preparada?


Em janeiro de 2020, o Bank for International Settlements (BIS), conhecido como "o banco dos bancos centrais", com sede na Suíça, publicou o livro The green swan (O cisne verde), um estudo de Patrick Bolton, Morgan Despres, Luiz Pereira da Silva, Frédéric Samama e Romain Svartzma.

O “cisne verde” é inspirado no conceito do “cisne negro”, denominação dada aos eventos fora da curva presentes na crise de 2008. De acordo com os autores, os eventos do cisne negro possuem três características:

  1. São inesperados e raros, ficando assim fora do âmbito das expectativas regulares;

  2. Seus impactos são amplos ou extremos; e

  3. Eles só podem ser explicados após o fato.

Os eventos do cisne negro podem assumir muitas formas, desde um ataque terrorista, uma tecnologia disruptiva, ou uma catástrofe natural. Esses eventos, geralmente, se ajustam às distribuições de probabilidade com cauda longa, ou seja, exibem uma grande assimetria em relação à distribuição normal (mas também em relação à distribuição exponencial). Em outras palavras, esses eventos não podem ser previstos com base em abordagens probabilísticas retrospectivas.

Cisnes verdes, ou "cisnes negros climáticos", apresentam muitas características dos cisnes negros:

  1. Os riscos relacionados ao clima geralmente se ajustam às distribuições de cauda longa;

  2. Os riscos físicos e de transição são caracterizados por profunda incerteza;

  3. Não são lineares;

  4. Suas chances de ocorrência não são refletidas em dados passados;

  5. Há possibilidade de consequências extremas.

Nesse contexto, as abordagens tradicionais de gerenciamento de riscos, que consistem na extrapolação de dados históricos e em suposições de distribuições normais, são amplamente irrelevantes para avaliar riscos futuros relacionados ao clima.


Os cisnes verdes diferem dos cisnes pretos em três aspectos:

  1. Embora os impactos das mudanças climáticas sejam altamente incertos, “existe um alto grau de certeza de que alguma combinação de riscos físicos e de transição se materializará no futuro”.

  2. As catástrofes climáticas são mais graves que a maioria das crises financeiras sistêmicas: elas podem representar uma ameaça existencial para a humanidade, como cada vez mais enfatizado pelos cientistas climáticos;

  3. A complexidade relacionada às mudanças climáticas é de ordem superior à dos cisnes negros devido as complexas reações em cadeia e os efeitos em cascata associados aos riscos físicos e de transição. Essas mudanças podem gerar dinâmicas ambientais, geopolíticas, sociais e econômicas fundamentalmente imprevisíveis.

Grandes riscos

Há cinco tipos de riscos associados às mudanças climáticas que podem contribuir para uma crise financeira:

  • Risco do crédito: catástrofes ambientais podem atrapalhar os devedores a honrar seus compromissos; e provocar depreciação dos ativos utilizados como garantia para os empréstimos.

  • Risco dos mercados: locais sujeitos a intempéries ambientais podem afetar a percepção de investidores; e provocar vendas rápidas de ativos (liquidações de preços baixos).

  • Risco de liquidez: a exposição a catástrofe ambiental pode afetar bancos e instituições financeiras não bancárias. Se estes não conseguirem se refinanciar no curto prazo, isto pode levar a uma crise maior.

  • Risco operacional: eventos climáticos podem provocar perdas agrícolas, afetar redes de computadores, redes de transmissão de energia; e paradas em plantas produtivas.

  • Risco de cobertura: no setor de seguros, o impacto dos eventos climáticos tem sido consideráveis.

Os autores do estudo afirmam que os riscos de uma crise climática podem ser catastróficos, apresendo similaridades com a crise provocada pelo COVID-19, podendo ter consequências ainda mais graves, o que acentua ainda mais a importância de inserir a discussão ambiental no universo corporativo. Nesse sentido, Larry Fink, o diretor executivo do BlackRock, maior fundo de gerenciamento de ativos do mundo, explica: "as mudanças climáticas se tornaram um fator determinante nas perspectivas de longo prazo das empresas".


Cabe as organizações refletirem sobre o risco de seus negócios e como elas podem contribuir para minimizar suas externalidades. Uma reflexão que deve ocorrer desde o momento do projeto do produto são as consequências ambientais, considerando: o uso de matérias primas renováveis, transporte necessário, economia no uso de energias fósseis, reaproveitamento água, revisão de processos produtivos, o descarte final de seus produtos após consumidos.


Apesar da incerteza predominante em relação ao momento e à natureza dos impactos das mudanças climáticas, existe a certeza de que elas acontecerão. Sabendo disso, sua empresa deve estar preparada tanto para as mudanças, como para atuar no sentido de diminuir os impactos negativos causados no meio ambiente!


 

Referências:

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